Cercado de críticas e com uma imagem cada vez mais negativa, tudo que o Facebook não quer neste momento é uma série de TV contando os bastidores da rede social durante um episódio polêmico. E a empresa está disposta a processar quem for levar essa ideia adiante, como é o caso da produtora Anonymous Content.
De acordo com uma reportagem do site Deadline, a companhia comandada por Mark Zuckerberg decidiu ir atrás dos responsáveis pela série Doomsday Machine.
Para isso, o Facebook contratou Mathew Rosengart, advogado que esteve nos holofotes recentemente por ajudar a cantora Britney Spears no processo para se livrar da curatela do pai, Jamie Spears. Entre seus clientes, também estão os atores Sean Penn, Julia Louis-Dreyfus e Eddie Murphy e o cineasta Steven Spielberg.
Doomsday Machine será baseada no livro An Ugly Truth, escrito por Cecilia Kang e Sheera Frenkel e lançado em 2021. A série contará como a plataforma lidou com as campanhas de desinformação durante as eleições americanas de 2016 e as investigações sobre a interferência russa no pleito explorando as redes sociais.
Outras controvérsias recentes também serão abordadas, como o programa XCheck, que supostamente permitiria que celebridades e figuras de destaque não estejam sujeitas à moderação de conteúdo da plataforma. O drama será ficcionalizado, com a atriz Claire Foy (a jovem rainha Elizabeth II em The Crown) no papel de Sheryl Sandberg, diretora de operações da empresa.
Na carta obtida pela reportagem, Rosengart diz que o Facebook tem muito respeito pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que defende a liberdade de expressão, mas alerta que ela não protege de declarações ou representações falsas.
O advogado afirma que a empresa está disposta a trabalhar com os produtores para garantir que o projeto seja verdadeiro e preciso e que, caso a produtora faça uma série com caracterizações falsas, a companhia tomará todas as medidas legais cabíveis. Como nota o Verge, porém, não se sabe de nenhuma ação que tenha sido tomada contra o livro An Ugly Truth ou as autoras.
Zuckerberg chama Facebook Papers de “ação coordenada”
Uma série com bastidores da rede social viria em um momento em que o Facebook já vive turbulências na opinião pública. Nos últimos meses, documentos vazados pela ex-funcionária Frances Haugen mostraram que a companhia tem ciência dos danos que causa a adolescentes e jovens mas opta por não tomar nenhuma medida para não prejudicar seus lucros.
Nesta segunda-feira (25), um consórcio de 17 veículos de imprensa dos Estados Unidos começou a publicar uma série de reportagens com base em mais documentos revelados por Haugen. O lote vem sendo chamado de Facebook Papers.
Entre as primeiras revelações, estão a insuficiência da inteligência artificial para dar conta da moderação de conteúdo, a falta de ação da empresa para coibir atividades criminosas no México, no Oriente Médio e na Etiópia, e a amplificação de conteúdos “raivosos” pelo algoritmo do feed de notícias.
Em uma chamada com investidores também nesta segunda (25), Zuckerberg disse que a companhia está aberta a críticas para melhorar seus produtos, mas chamou os Facebook Papers de uma ação coordenada com base em informações parciais e enviesadas para pintar um quadro negativo sobre a empresa.
O executivo também afirmou que é favorável a uma regulamentação das redes sociais, definindo limites para o que é permitido e como deve ser feita a moderação de conteúdo.
Com informações: Deadline, The Verge.
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